domingo, 3 de maio de 2009

DISCALCULIA: UMA ABORDAGEM À LUZ DA MATEMÁTICA

DISCALCULIA


O termo discalculia é usado frequentemente ao referir-se, especificamente, à inabilidade de
executar operações matemáticas ou aritméticas. É, pois, um distúrbio neuropsicológico
caracterizado pela dificuldade no processo de aprendizagem do cálculo e que se observa,
geralmente, em indivíduos de inteligência normal, que apresentam inabilidades para a realização
das operações matemáticas e falhas no raciocínio lógico-matemático.

Por ser considerado um tipo de transtorno, convém frisar que, segundo Ferreira (2000)
transtorno tem por significado desorganizar, atrapalhar, ou ainda, desarranjo e desordem.
Segundo os pesquisadores, a criança com discalculia é incapaz de:

a) Visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior;
b) Conservar a quantidade, o que impede de compreender que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas;
c) Compreender os sinais de soma, subtração, divisão e multiplicação (+,-,÷e x);
d) Seqüenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 11 e depois do 15 (antecessor e sucessor);
e) Classificar números;
f) Montar operações;
g) Entender os princípios de medida;
h) Lembrar as seqüências dos passos para realizar as operações matemáticas;
i) Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras;
j) Contar através de cardinais e ordinais.

Convém destacar, ainda, que os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:
a) Dificuldade na memória de trabalho;
b) Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;
c) Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefa de escrita);
d) Ausência de problemas fonológicos;
e) Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
f) Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
g) Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis.


Para o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais – DSM-IV (1994), o transtorno
nas operações Matemáticas é caracterizado pela incapacidade para realização de operações
aritméticas, cálculo e raciocínio inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade
intelectual e nível de escolaridade do indivíduo e dificuldades que trazem prejuízos significativos
em tarefas diárias que as exigem ou apresentam algum déficit sensorial, destacando-se que as
dificuldades matemáticas excedem aquelas geralmente associadas.

Diversas habilidades podem estar prejudicadas pelo transtorno, como: habilidades lingüísticas
(compreensão e nomeação de termos, operações ou conceitos matemáticos, e transposição de
problemas escritos em símbolos matemáticos); perceptuais (reconhecimento de símbolos
numéricos ou aritméticos, ou agrupamento de objetos em conjuntos); de atenção (copiar
números ou cifras, observar sinais de operação); e matemáticas (dar seqüência a etapas
matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).
TIPOS DE DISCALCULIAS
a) Discalculia Verbal – dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações;
b) Discalculia Practognóstica – dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens, matematicamente;
c) Discalculia Léxica – dificuldades na leitura de símbolos matemáticos;
d) Discalculia Gráfica – dificuldades na escrita de símbolos matemáticos;
e) Discalculia Ideognóstica – dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos; e
f) Discalculia Operacional – dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
CAUSAS DA DISCALCULIA

Não existe uma causa única e simples com que se possam justificar as bases das dificuldades com
a linguagem matemática, que podem ocorrer por falta de habilidade para determinação de razão
matemática ou pela dificuldade em elaboração de cálculo matemático. Essas dificuldades estão
atreladas a fatores diversos, podendo estar vinculadas a problemas com o domínio da leitura
e/ou da escrita, na compreensão global proposta num texto, bem como no próprio
processamento da linguagem.
Estudos apontam que a discalculia pode ser causada por vários elementos que abrangem áreas
de estudo, como a Neurologia, a Lingüística, a Psicológica e a Pedagógica.
NEUROLÓGICA (IMATURIDADE)

Maturação é a soma das características de evolução neurológica apresentadas pela maioria dos
indivíduos nas diferentes etapas de desenvolvimento e que permitem o uso das capacidades
inatas e expressas por seu comportamento.
O desenvolvimento neurológico implica na maturação progressiva através das modificações do
sistema nervoso e se caracteriza pelas diferentes funções, que vão se estabelecendo ordenada,
progressiva e cronologicamente. Cada nível etário de maturação permite desenvolver novas
funções (percepção, espaço temporal, lateralidade, ritmo etc.), através de experiências que
produzam estímulos adequados.
São observados, a seguir, três graus de imaturidade:

a) Leve – em que o discalcúlico reage favoravelmente à intervenção terapêutica;
b) Médio – configura o quadro da maioria dos que apresentam dificuldades específicas em matemática; e
c) Limite – ocorre quando há lesão neurológica, gerada por diversos traumatismos, provocando um déficit intelectual.


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